Aderindo ao movimento nacional de paralisação, o jovem Carlos Henrique, de 23 anos, e mais um dos entregadores que está há dias parado, em uma manifestação que exige das plataformas de serviço, como Ifood, 99, Uber e tantas outras, melhores condições de trabalho e taxas mais justas pagas aos seus entregadores. O movimento, que começou oficialmente nesta segunda-feira, 31 de março, chega ao seu segundo e último dia nesta terça-feira, 1° de abril.
Em entrevista concedida ao Estadão Mato Grosso, Carlos explicou que mesmo estando de bicicleta, ele sofre com os problemas que também afetam os motoboys que cruzam os bairros de Cuiabá e Várzea Grande. Um dos problemas é manutenção da bicicleta, que precisa ser constante, já que é o ganha-pão do rapaz.
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“Nós temos peça de bike, tem pneu, só o pneu meu é 200 e pouco. O pneu para arrumar aqui, as manutenções, entendeu? Aí paga muito pouco, né? Fora o freio, que é hidráulico, que é R$ 70 e fora outras pecinhas que foi que for estragando” explicou.
Além disso, por mais que não precisa de combustível para rodar, o rapaz diz que o cansaço físico é outra pedra no caminho, já que algumas entregas são em lugares distantes e de difícil acesso.
“Aí paga muito pouco e joga muito KM. É e ida e volta. Você vai e se não tiver nada para você buscar, você vem de novo. Para nós fazermos um dinheiro razoável, tem que trabalhar dia, à tarde, de noite e de madrugada para poder tirar um dinheirinho bom”, relatou.
Por fim, mas não menos importante, Carlos explica a dificuldade do trânsito e diz que alguns motoristas possuem menos respeitos aos entregadores de bicicleta do que aos entregadores de moto.
“Os carros não nos respeitam. Não é só porque nós estamos de bicicleta que eles não têm que respeitar, tem que respeitar também. Porque assim, você tá indo normal na pista. Lá eles começam a jogar você na beirada e é perigoso, até passar por cima de você. Eles não têm respeito não. Não tem respeito nem para os caras estando de moto, imagina para nós, que estamos de bicicleta”, disse o rapaz.
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