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Brasil Quarta-feira, 26 de Março de 2025, 13:11 - A | A

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VEJA VÍDEO

'Nenhuma Bíblia é vista', diz Moraes ao exibir imagens de vandalismo de 8 de janeiro

g1

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exibiu nesta quarta-feira (26) um vídeo com imagens da ação de vândalos golpistas no dia 8 de janeiro de 2023.

Moraes reproduziu o material durante a leitura do seu voto para aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornar réus Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados por tentativa de golpe de Estado. A Primeira Turma do Supremo confirmou o julgamento histórico.

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Ao exibir imagens dos apoiadores de Bolsonaro na Praça dos Três Poderes, Moraes observou: "Nenhuma Bíblia é vista". Ele disse também que os bolsonaristas não portavam "batons".

As falas rebatem uma narrativa repetida por Bolsonaro e aliados de que os vândalos presos no dia 8 de janeiro eram pessoas de idade e religiosas, que não estavam armadas, e que, portanto, estão reclusas injustamente.

Também ao comentar esses atos antidemocráticos, o ministro do STF afirmou que aquele dia não foi um "domingo no parque", mas, sim, uma tentativa de ruptura democrática.

Ao final da exibição do vídeo, Moraes afirmou que é um "absurdo" dizer que não houve violência e agressão.

Denúncia do golpe

Moraes é o relator, no STF, do inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado por parte de Bolsonaro e de seu entorno em 2022.

Bolsonaro e os sete aliados serão processados e terá início a chamada fase da "instrução", com a coleta de provas e a tomada de depoimentos de testemunhas.

Só após essa fase é que o "núcleo crucial" terá suas condutas julgadas pelos magistrados, que podem condenar ou absolver Bolsonaro e os sete aliados.

Voto de Moraes

Por ser relator, Alexandre de Moraes foi o primeiro a votar no julgamento. Ele defendeu o recebimento da denúncia contra os oito investigados e destacou que:

Há descrição satisfatória da organização criminosa, com divisão de tarefas e hierarquia;
Bolsonaro liderou uma estrutura que usou mentiras sobre o sistema eleitoral para instigar o golpe;
O grupo agiu de forma coordenada até janeiro de 2023, buscando abalar o Estado Democrático de Direito;
"Não houve um domingo no parque", disse Moraes, ao exibir vídeos da invasão aos Três Poderes no 8 de Janeiro;
Afirmou que, mesmo após a derrota nas urnas, Bolsonaro mandou que os militares publicassem notas técnicas para manter seus apoiadores nos quartéis;
Disse que o então presidente "manuseava e discutiu a minuta do golpe";
E destacou: "Até a máfia poupa familiares. A organização criminosa em questão não teve esse pudor."

"A organização criminosa seguiu todos os passos necessários para depor o governo legitimamente eleito. Objetivo que, buscado com todo o empenho e realizações de atos concretos, não se concretizou por circunstâncias que as atividades dos denunciados não conseguiram superar: a resistência dos comandantes do Exército e da Aeronáutica às medidas de exceção", afirmou o relator.

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