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Cidades Quinta-feira, 27 de Março de 2025, 16:28 - A | A

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ASSASSINATO EM COLNIZA

Sintep critica escolas militares e chama diretor PM de descontrolado

Da Redação

Redação | Estadão Mato Grosso

Após o diretor da Escola Militar Tiradentes, Elias Ribeiro da Silva, de 54 anos, ter assassinado Claudemir Sá Ribeiro, o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) publicou uma nota lamentando o ocorrido. O caso ocorreu no domingo, 23 de março, em Colniza (1.065 km de Cuiabá). Em nota, o Sintep declarou que o diretor é um homem sem controle emocional, que estava armado e assumiu o papel de “justiceiro”.

A nota também destaca a reincidência dos casos envolvendo militares envolvidos na educação do estado e de outros locais do Brasil.

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“O Dossiê do Observatório de Escolas Militarizadas (2021) detalha violações como agressões, racismo e repressão excessiva em instituições do Paraná. Relatos de assédio sexual em Francisco Beltrão (PR) e agressões físicas em Imbituva (PR) reforçam a urgência de revisão desse modelo”, disse em nota.

O Sintep destaca que é preciso revisar o modelo das escolas Cívicos Militares, pois há evidencias de riscos de agentes armados circulando no interior das escolas.

Veja Nota na integra 

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) lamenta profundamente a morte brutal ocorrida em Colniza, quando um jovem de 26 anos foi alvejado a tiros e morto a queima-roupa por um membro da gestão escolar de uma escola cívico-militar, policial da reserva. A tragédia ocorreu em um bar, mas poderia ter acontecido em qualquer outro ambiente onde uma pessoa armada e sem controle emocional assume o papel de justiceiro.

É alarmante observar casos em que indivíduos ligados à educação pública militarizada se envolvem em atos criminosos, o que reflete a crescente banalização dos princípios educacionais. A preocupação do Sintep-MT com a militarização das escolas se reforça diante desse episódio, pois evidencia os riscos da presença de agentes armados na gestão escolar. A escola deve ser um espaço de aprendizado, acolhimento e resolução pacífica de conflitos, não um local onde o autoritarismo e a força armada prevaleçam.

O envolvimento de um policial militar da reserva, ocupando o cargo de diretor de uma escola cívico-militar, em um ato de extrema violência ilustra um modelo que a sociedade não pode aceitar como referência para a educação. O Sintep-MT reitera seu alerta sobre o retrocesso representado pela inserção de membros das forças de segurança na administração escolar, uma medida que, longe de garantir ordem e disciplina, expõe estudantes e profissionais ao risco de situações de violência.

O crime registrado em Colniza reafirma que conflitos são inerentes às relações humanas, mas, se ocorridos no ambiente escolar, devem ser resolvidos com critérios pedagógicos, e não militares. A presença de pessoas armadas em escolas aumenta o perigo de que confrontos cotidianos sejam resolvidos de forma violenta, em vez de serem mediados pelo diálogo e pelo ordenamento jurídico. Esse cenário é prejudicial principalmente para os estudantes, que podem sofrer impactos psicológicos graves ao conviverem em um ambiente regido pela força e não pela educação.

Casos emblemáticos e denúncias

Nos últimos anos, diversos episódios demonstram os riscos do modelo cívico-militar:
•  Março de 2024 (Paraná): Um aluno foi esfaqueado por um colega no banheiro do Colégio Cívico-Militar Frentino Sackser (FOLHAEXTRA, 2024).
•  Janeiro de 2022 (Paranavaí, PR): Um policial militar da reserva, atuando como monitor, foi investigado por assediar sexualmente alunas (G1 PARANÁ, 2024).
•  2020-2024 (Paraná): Sete denúncias de abuso sexual em colégios cívico-militares foram registradas (PLURAL.JOR, 2024).
• 2023 (São Paulo): O processo de militarização em escolas públicas foi associado a casos de violência envolvendo a PM (DIÁRIO DIPLOMÁTICO, 2024).
• Julho de 2023 (Brasil): Escolas cívico-militares foram marcadas por abusos de autoridade, como proibição de bonés e corte de cabelo coercitivo (BRASIL DE FATO, 2023).
• 2024 (Curitiba, PR): Estudantes denunciaram práticas abusivas, comparando o ambiente escolar a uma "prisão" (APPSINDICATO, 2024).
• Março de 2025 (Paraná): Brigas generalizadas e disparos de arma em frente a colégios foram registrados, sem intervenção militar (APPSINDICATO, 2024).
•   2024 (Nacional): Atividades pedagógicas foram substituídas por cantos com versos de ódio em escola cívico-militar (TERRA, 2024).

Documentação e apelos

O Dossiê do Observatório de Escolas Militarizadas (2021) detalha violações como agressões, racismo e repressão excessiva em instituições do Paraná. Relatos de assédio sexual em Francisco Beltrão (PR) e agressões físicas em Imbituva (PR) reforçam a urgência de revisão desse modelo.

O Sintep-MT reafirma que a educação pública deve ser conduzida por profissionais qualificados, selecionados por concurso, e não por agentes militares. A tragédia em Colniza e os casos citados deixam claro que a gestão escolar deve priorizar o diálogo, a mediação pedagógica e o respeito aos direitos humanos, garantindo que a escola seja um espaço seguro para todos.

Cuiabá, 25 de março de 2025

Direção do Sintep-MT

Sobre o caso

Claudemir Sá Ribeiro, de 26 anos, foi executado a tiros na noite deste domingo, 23 de março, em um bar na Avenida Tarumã, no município de Colniza (1.065 km de Cuiabá). O autor do crime, identificado como o sargento e diretor de uma Escola Militar Elias Ribeiro da Silva, de 54 anos, foi preso em casa após fugir do local.

Conforme o boletim de ocorrência, o militar estava bebendo no bar quando se levantou, sacou a arma e atirou contra Claudemir. Dois dias após o crime, o delegado Ronaldo Binoti Filho, da delegacia da Polícia Civil de Juína, contou que Elias atirou contra o rapaz após suspeitas dele ser faccionado, mas nada foi comprovado.

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