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Cidades Quinta-feira, 03 de Abril de 2025, 14:06 - A | A

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"A LUTA CONTINUA"

Motoboys podem parar novamente e liderança critica declarações do iFood

Igor Guilherme

Repórter | Estadão Mato Grosso

Dois dias após o fim da paralisação dos motoboys em Cuiabá, Várzea Grande e também de vários locais ao redor do Brasil, o futuro da classe ainda segue incerto. Com reivindicações de melhores pagamentos por entregas, postos de paradas e outras exigências para uma melhor condição de trabalho, a classe agora aguarda um posicionamento das plataformas acerca das suas exigências. Uma dessas plataformas é o iFood, que apesar de ter sinalizado que irá realizar um reajuste no valor repassado aos motoboys, também afirmou que seus entregadores recebem bem mais que o salário mínimo. Declaração essa que foi alvo de diversas críticas.

As declarações em questão do iFood foram publicadas pela revista Veja ainda nos dias de paralisação e em entrevista ao Estadão Mato Grosso, uma das lideranças da classe, João Muniz, também conhecido como Barbudão, afirmou que o iFood desconsidera todos os gastos que os entregadores tem que desembolsar para continuar trabalhando.

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“O iFood desconsidera os gastos com os “sócios” da gente, que são postos de combustível, oficias, alimentação. Inclusive o documento de todos os motoboys venceu agora e temos que pagar. O valor se dissolve e não cai de forma integral”, afirmou Barbudão.

DECLARAÇÃO NA VEJA

Conforme informado pela reportagem do Estadão Mato Grosso, a plataforma iFood afirmou à Revista Veja que os entregadores ganharam um reajuste de R$ 3,31 para R$ 6,50 entre 2022 e 2023. Eles também citam que aumentou em 50% no valor do km rodado e implementou um adicional de R$ 3 para entregas agrupadas. A empresa também citou que os motoboys recebem até 4x a mais por hora do que um trabalhador que recebe um salário mínimo,

REIVINDICAÇÕES E O FUTURO DA CLASSE

Durante os dois dias do movimento Breque dos Entregadores 2025, foi reivindicado o reajuste na taxa mínima por entrega de R$ 6,50 para R$ 10 e também um aumento no valor do km rodado para R$ 2,50.

Além disso, foi cobrada a construção de postos de descanso para os entregadores e limites para a quilometragem para aqueles que entregam de bicicleta.

Em uma nota, emitida pelo Comando Nacional do Breque dos Entregadores 2025, foi orientado que os entregadores seguissem certas diretrizes para uma melhor condição de trabalho, enquanto a plataforma não estipula as novas regras e reajustes.

“Entregadores de todo o país estão orientados a manter a pressão contra as plataformas, seguindo as seguintes diretrizes: rejeitar corridas abaixo de R$ 8,00 (exceto bike, que deve rejeitar pedidos acima de 3 km); rejeitar pedidos agrupados, que aumentam o trajeto sem aumento justo no pagamento; realizar paralisações pontuais, organizadas pelo Comando e comunicadas com algumas horas de antecedência”, diz trecho da nota.

As diretrizes devem ser seguidas pela classe até a próxima reunião da Plenária Geral dos Entregadores, marcada para a próxima quarta-feira, 09 de abril.

“Na ocasião, a categoria avaliará os impactos da mobilização e decidirá os próximos passos”, diz o documento.

PRÓXIMAS PARALISAÇÕES

Ainda em entrevista à reportagem do Estadão Mato Grosso, Barbudão afirmou que próximas paralisações da classe devem sim ocorrer futuramente para exigir melhores condições de trabalho, mas que não devem passar dos dois dias, seguindo o exemplo da realizada em vários lugares do Brasil no dia 31 de março e 1° de abril.

Barbudão ainda afirmou que a paralisação reuniu cerca de 1.500 motoboys, que se dividiram e concentraram-se em diversos pontos da capital.

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